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Especial Greve Geral no Brasil

Ao longo da semana, centenas de categorias realizaram assembleias para discutir a paralisação das atividades nesta sexta-feira, 28/04, em manifestação contra as reformas do governo Temer.

Enfoque Sur: Especial Greve Geral no Brasil

Por Lígia Fernandes

A Greve Geral organizada para essa sexta-feira, promete ser um marco histórico para os trabalhadores e a juventude no Brasil, afetados diretamente pelas medidas antipopulares do governo de Michel Temer. Os nervos da população se afloram ainda mais diante dos escândalos de corrupção no congresso nacional, que têm tomado os noticiários. Nesse cenário, aumenta a impopularidade da presidência: hoje, somam 87%  os brasileiros que desaprovam o atual governo e 93% os que são contra medidas como a Reforma da Previdência.

Em contrapartida, os setores da direita e da grande mídia, empenhados em desmoralizar a paralisação, apresentam o dia 28 como uma manifestação apenas em apoio ao PT ou uma possível candidatura de Lula às eleições presidenciais de 2018. Em seu editorial de hoje (27/04), o jornal O Estado de São Paulo se refere ao movimento como “Greve do Feriadão” (por conta do feriado do dia dos trabalhadores na próxima semana), defendendo que, além da greve ser uma mera “desculpa para não se trabalhar”, orquestrada pela base do Partido dos Trabalhadores, ela apenas terá forte adesão porque “(…) A maioria dos trabalhadores que deixarão de cumprir expediente amanhã, será formada não por grevistas, mas por funcionários que não conseguirão chegar ao trabalho em razão da paralisação do transporte público.

A realidade, contudo, demonstra o contrário: as mais variadas categorias, desde trabalhadores do transporte, à comerciários, bancários e petroleiros, confirmam que cruzarão os braços amanhã, marcando o  início de  um novo processo de organização do movimento sindical brasileiro.

O Enfoque Sur conversou sobre o caráter da Greve Geral e o atual momento do sindicalismo brasileiro com o professor Caio Andrade, da rede estadual de educação do Rio de Janeiro (uma das centenas categorias que irá aderir à paralisação), membro da diretoria do SEPE/RJ e da Corrente Sindical Unidade Classista:

 

ES: De 2003-2016 o país teve a frente da Presidência um partido originado nas lutas da classe trabalhadora, o PT. Como você avalia a atuação do movimento sindical brasileiro ao longo desses governos? Esse período contribuiu para o fortalecimento ou enfraquecimento da organização dos trabalhadores no Brasil?

CA: Ao longo do período citado, a CUT e seus satélites converteram-se em verdadeiras correias de transmissão do governo federal no movimento sindical. Preocupados em blindar Lula e Dilma, contribuíram para enfraquecer a organização dos trabalhadores. Em todos esses anos, o campo em questão funcionou como amortecedor da luta de classes, apontando um caminho de apassivamento e conciliação. Partindo de uma linha política equivocada, tais setores avaliaram que a “governabilidade” deveria sustentar-se na aliança com partidos da ordem e não na mobilização do proletariado. Assim, o PT procurou manter a confiança dos capitalistas e substituir o protagonismo dos trabalhadores na cena política pelo jogo institucional. Neste projeto, o papel dos trabalhadores era esperar que o governo “democrático e popular” resolvesse seus problemas. A organização da classe operária e a pressão popular poderiam atrapalhar o pacto social. Tal experiência, contudo, esgotou-se após uma década de funcionamento.

A crise econômica internacional reduziu as margens do processo de conciliação, comprometendo as políticas sociais focalizadas e, sobretudo, a expansão do consumo, ou seja, os pilares da popularidade petista. Quando a base parlamentar do governo federal derreteu e a presidente se tornou descartável para a burguesia, sedenta pela radicalização do ajuste fiscal iniciado por Dilma, a classe trabalhadora seguiu o mesmo modus operandi proposto nos anos anteriores, isto é, não se apresentou como força social e política independente na disputa pelos rumos do país. A fragmentação do campo classista do movimento sindical, por sua vez, dificultou ainda mais a construção de uma saída à esquerda.

 

ES: A crise econômica afeta o País desde 2014, tendo seus efeitos mais severos para a população à partir de 2016, quando a inflação chegou a 6,29% e o desemprego passou a atingir 11,8% dos brasileiros. Nesse mesmo período, o país viveu diversas manifestações e atos de rua. Porém, destacaram-se os atos pró e contra o governo Dilma.
Na sua opinião, qual foi o papel cumprido pelas centrais nesse período?  

CA: As centrais governistas tentaram reagir timidamente, mas não teriam condições de reverter em algumas semanas a desmobilização que contribuíram para estabelecer por vários anos consecutivos. Além disso, o PT não sinalizou um enfrentamento mais contundente. Ao contrário, buscou demonstrar bom comportamento diante do capital até o último momento. Isso se expressou nas centrais do seu campo político. Já as centrais afeitas à colaboração de classes mais explícita, embarcaram no “Fora Dilma” enquanto cavavam cargos no próximo governo.

 

ES: Para você, o quê explica a saída da direita às ruas e a grande adesão aos atos do “Fora Dilma”? Como explicar o atual refluxo que vivem as passeatas dos setores responsáveis por mobilizar os atos do “Fora Dilma”, sobretudo o Movimento Brasil Livre (MBL)?

CA: A desmoralização política do PT alimentou um descrédito na esquerda enquanto alternativa, abrindo espaço para que organizações de direita capturassem com certa facilidade a insatisfação das massas com a forma adotada por Dilma para lidar com a crise. As organizações anticapitalistas lutaram para fazer o contraponto, mas esbarraram na inserção sindical insuficiente e no já citado processo de fragmentação. Em muito pouco tempo, porém, a realidade demonstrou os reais objetivos do impeachment. Apesar das ilusões difundidas, está cada vez mais claro que Temer assumiu o Planalto para radicalizar o chamado ajuste fiscal, um engodo para ocultar o verdadeiro conteúdo do processo: destruição das conquistas sociais e trabalhistas impostas pelos trabalhadores até a Constituição de 1988, não importando quão corruptos sejam os que operam as contrarreformas em Brasília. Assim, movimentos como o MBL vão sendo desmascarados.

 

ES: Na sua opinião, qual a expressão das grandes centrais sindicais, como Central Única dos Trabalhadores (CUT), em meio à classe trabalhadora brasileira?

CA: Grandes centrais promovem grandes lutas e mobilizações. No Brasil temos centrais grandes, ou seja, poderosas máquinas, mas que funcionam muito abaixo da capacidade em função dos limites políticos de suas direções.

 

ES: As reformas implementadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, como a PEC do Teto de Gastos, Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e PL da terceirização devem afetar diretamente a vida dos trabalhadores brasileiros. Frente a esse cenário, quais as tarefas imediatas das centrais para resguardar as condições dignas de vida e de trabalho para o povo?

CA: A principal tarefa imediata é, sem dúvida, garantir a unidade de ação no movimento sindical para barrar as contrarreformas do governo ilegítimo de Michel Temer. Trata-se de intensificar o contato com as bases, fomentar a organização por local de trabalho e fortalecer a resistência. Não podemos, porém, fechar os olhos para os passos seguintes.

A gravidade dos atuais ataques aos direitos dos trabalhadores está na gênese da unificação tática de centrais e correntes sindicais marcadas por concepções políticas e ideológicas tão diferentes.

As entidades que estão voltadas para as eleições de 2018 aproveitam-se dos processos de mobilização operária e popular para galvanizar suas lideranças políticas e favorecer seu retorno ao governo federal, tendo em vista um novo ciclo de conciliação de classes.

Mesmo os setores mais próximos de Temer são obrigados a compor as articulações sindicais e acenar com alguns gestos de “protesto” para parecer combativos. Por mais que estejam dispostos a negociar direitos, precisam simular que estão na luta para evitar a desmoralização perante suas bases, desmascarando sua política de colaboração com o empresariado.

O dia 15/3, contudo, mostrou mais uma vez que, em movimento, os trabalhadores podem avançar na consciência de classe e romper os limites do atual período histórico. Portanto, a tarefa do campo classista é compreender as contradições em jogo e atacar em duas frentes simultâneas: construir a luta de massas para derrotar Temer e disputar o saldo das mobilizações, contribuindo na politização dos trabalhadores e na formação de um bloco social para superar os ataques do capital e a conciliação de classes, na perspectiva da construção de uma alternativa anticapitalista para o Brasil.

 

ES: Quais são as suas expectativas para a Greve Geral de 28/04?

CA: Este governo já aprovou o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, a terceirização de todas as atividades e várias outras medidas contrárias aos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro em geral. Seus próximos alvos são o que sobrou da CLT e a Previdência Social. Esperamos que a classe trabalhadora dê uma resposta à altura no dia 28, parando a produção e a circulação de riquezas no Brasil. A cada dia cresce a revolta popular contra o governo Temer, portanto a mobilização na sexta-feira tem tudo para ser muito forte. Acreditamos que o momento é muito propício para intensificar a luta, avançar na mudança da correlação de forças e na reorganização do proletariado.

 

Confira abaixo as categorias profissionais que vão participar da  Greve Geral em cada estado:

 

ACRE

Rodoviários paralisam em 5 cidades, inclusive na capital, Rio Branco

 

ALAGOAS

Professores da educação pública e particular

Bancários

Funcionalismo público federal

Trabalhadores de empresas de transporte público de Maceió

 

AMAZONAS

Professores universitários

Petroleiros

Rodoviários

Bancários (bancos públicos)

Vigilantes

Polícia Civil

Construção civil

 

AMAPÁ

Urbanitários

Bancários

Educação

Rodoviários

Técnicos da Universidade, Servidores Federais

Professores da Universidade

Servidores da Justiça

Polícia Civil

Servidores do MP

Servidores do Grupo Administrativo

BAHIA.

Petroleiros

Policiais civis

Professores da rede pública de ensino

Trabalhadores em saúde da rede pública

Rodoviários de Salvador e Região Metropolitana

Comerciários de Salvador, Irecê, Itabuna e Ilhéus

Bancários de todas as bases sindicais da Bahia

Metalúrgicos

Servidores do Judiciário estadual e federal

Trabalhadores da construção civil

Técnicos administrativos das universidades federais

Servidores públicos municipais de Itabuna

Servidores públicos estaduais

 

CEARÁ

Transportes param em 20 cidades, incluindo Fortaleza

Petroleiros

Educação

Metalúrgicos

Comércio

Construção Civil

Serviço Público

Saúde

 

DISTRITO FEDERAL

Rodoviários

Bancários

Limpeza Urbana

Jornalistas

Sindicato dos Odontologistas

Professores da rede pública

Professores e técnicos da Universidade de Brasília,

Limpeza urbana

Correios

Telecomunicações Departamento de Trânsito

Servidores municipais de várias cidades do entorno

Trabalhadores do Ramo Financeiro

 

ESPÍRITO SANTO

Petroleiros

Saúde

Comercio

Professores

Portuários

Comerciários

Bancários

Metalúrgicos

Servidores públicos

Construção civil

Rodoviários

Enfermeiros(as) e Psicólogos(as)

 

GOIÁS

Professores municipais de Anápolis

Trabalhadores em Empresas de crematório e

Cemitérios SINEF

Limpeza Urbana Stilurbs

Servidores Públicos

Técnicos e trabalhadores nas Universidades e Institutos Federais

 

MARANHÃO

Rurais

Municipais

Servidores Público Feral

Urbanitários

Comerciários

Previdenciários

Bancários

Metalúrgicos

Professores

Correios

Rodoviários

Saúde

Professores

Universitários, Técnicos da Universidade

 

MATO GROSSO

Servidores públicos estaduais

Servidores da Educação Pública

Bancários

Trabalhadores dos transportes públicos

Servidores de diferentes esferas do Judiciário

 

MATO GROSSO DO SUL

Educação

Construção civil

Transporte coletivo

Servidores públicos

Transporte de cargas

Bancários

 

MINAS GERAIS

Correios

Petroleiros

Metroviários

Rodoviários

Professores (Privados)

Bancários

Construção Civil

Municipais (BH)

Vestuários

Rurais

Metalúrgicos

 

PARÁ

Portuários

Bancários

Construção Civil

Comércio

Servidores

Educação

Urbanitários

 

PARAÍBA

Bancários

Professores

Limpeza urbana

Transporte

 

PARANÁ

Educação

Rodoviários

Petroleiros

Construção Civil

Bancários

Vigilantes

PERNAMBUCO

Aeroportuários

Aeronautas

Rodoviários

Petroleiros

Judiciário

Metalúrgicos

Professores da Federal

Bancários

Metroviários

Policiais civis

Servidores da Assembleia Legislativa de Pernambuco

Guardas municipais

Professores do setor público

Professores da rede privada

Enfermeiros

Técnicos de enfermagem

Agentes comunitários de saúde

Odontólogos

Fisioterapeutas

Trabalhadores em saúde bucal

Farmacêuticos

Psicólogos

Vigilância sanitária

 

PIAUÍ

Professores do setor público

Professores do setor privado

Petroleiros

Servidores da saúde pública

Correios

Rodoviários

Metroviários

Comerciários

Servidores públicos municipais

Servidores judiciários federais

 

RIO DE JANEIRO

Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (SinproRio)

Radialistas

Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro e Região (Sinergia)

Bancários Rio

Teresópolis, Baixada, Campos

Petroleiros Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

Educadores Municipais

Educadores Estaduais (Sepe-RJ)

Professores, técnicos e funcionários da UFRRJ (Adur-RJ)

Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Docentes do Cefet (Adcefet-RJ)

Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Asfoc SN)

Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro

Correios (Sintect-RJ)

Servidores Técnico-Administrativos CEFET-RJ (Sintecefetrj)

Docentes e servidores da UFF

Docentes da UERJ (Asduerj)

Petroleiros Rio de Janeiro, Volta Redonda, Duque de Caxias

RIO GRANDE DO NORTE.

Têxteis

Bancários

Vigilantes

Professores

Construção Civil

Rodoviários

Ferroviários

 

RIO GRANDE DO SUL

Bancários

Municipais

Empregados em empresas de Assessoramento

Fundações Estaduais

Metroviários

Professores

 

RONDÔNIA.

Servidores da educação pública do estado

Servidores públicos federais

Bancários

 

RORAIMA

Saúde

Enfermeiros

Correios

Urbanitários

Bancários

Servidores do Estado

 

SANTA CATARINA.

Professores Estaduais

Bancários

 

SÃO PAULO

Metroviários de São Paulo

Rodoviários de São Paulo, Guarulhos (paralisação de 24 horas com contingente de 30% das frotas), Santos, Campinas, Sorocaba e região)

Ferroviários linhas 11 e 12 da CPTM – Assembleia hoje, mas há indicativo de paralisação

Portuários de Santos

Professores da Apeoesp (rede Estadual)

Professores do Sinpeem (rede municipal) – Assembleia em frente à Prefeitura, às 15h

Professores da rede particular (Sinpros)

Professores Poá

Professores Francisco Morato

Professores Jundiaí

Professores estaduais, municipais e universitários de Sorocaba

Sintusp – trabalhadores da USP

Químicos da Zona sul da capital, Cotia, Barueri, Osasco, São Bernardo do Campo

Metalúrgicos do ABC, Jundiaí, Sorocaba, São Carlos e Vale do Paraíba

Bancários de São Paulo, Osasco e região; Mogi das Cruzes; Campinas; Sorocaba

Petroleiros das Refinarias de Paulínia (Replan), Capuava (Recap) de São José dos Campos e Cubatão; e terminais de Guarulhos, Guararema, Barueri , São Caetano, Ribeirão Preto, São Sebastião e Caraguatatuba

Comerciários de Osasco e Sorocaba

Municipais de São Paulo

Guarda Civil e UBS’s de Jundiaí

Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – aprovaram estado de greve com indicativo de paralisação no próximo 28 de abril

Construção Civil de Bauru e Botucatu

Eletricitários de Campinas

Correios de São Paulo

Trabalhadores da Saúde e Previdência do Estado de São Paulo

Trabalhadores de Asseio em Conservação e Limpeza Urbana da Baixada Santista

Trabalhadores em entidades de assistência à criança e ao adolescente

 

SERGIPE

Professores

Assistentes Sociais

Psicólogos

Nutricionistas

Bancários

Construção civil

Servidores do INSS, do Min. Público, do TJSE, Frei Paulo, Divina Pastora, Estância, Monte Alegre, Glória e Poço Verde

 

TOCANTINS

Educação

Comerciários

Rurais Araguaiana

Vigilantes

Telecomunicação

Eletricitários

Farmacêuticos

Trabalhadores de Bares, Restaurantes e Hoteis

Técnicos e Auxiliares de Enfermagem

Saúde

Construção Civil

Correios

Bancários

Servidores do MP Estadual

Servidores Estaduais

Servidores Municipais

 

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